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O cool e moderno de “hoje”, já pode não ser mais nada amanhã. Como bem lembrado pela GQ em uma matéria, não se deixe levar pelo hype.

O imediatismo na produção e no consumo são cada vez mais clarividentes aos nossos olhos e os questionamentos também. Há algum tempo vivemos uma bipolaridade na moda. De um lado “See Now, Buy Now”. De outro, o “Slow Fashion” de pequenas marcas.

Certo mesmo é que uma pequena parcela de consumidores da moda tem a preocupação em o que comprar? Quanto gastar? Se vai durar ou se vale a pena?

A grande massa, quando pode é claro, tenta acompanhar as modinhas e se deixa levar pela ostentação de ter o melhor, ser mais e mostrar por meio de uma roupa que é mais cool.

As grandes marcas se aproveitam disso como ninguém e criam coleções para durar num piscar de olhos. A moda e o seu desejo de criar, inovar e produzir na velocidade da luz. Manda quem pode, obedece quem consegue.

No caso, as grandes grifes ditam as regras e os riquinhos esbanjam “bom gosto, dinheiro e poder” com algumas peças que na realidade não possuem nada além. Elas levam consigo apenas um único valor, um nome ou um símbolo. O problema não é gostar, vivenciar e comprar tudo isso. O problema é não ter noção do todo que o inclui.

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Já falamos aqui em outro texto (quanto custa seu look?) o quanto é comum pessoas desfilarem com alguns milhares de reais. Por isso, embora pareça surreal, as pessoas consomem sim tudo que essas marcas impõem e, pior, não só tentam como são levadas a ser as mais ‘cools’ do momento, comprando tudo que de mais novo sai no mercado.

O dinamismo é tão grande e exagerado que faz com que as pessoas troquem de peças como “trocam de roupa.” Owww, espera ai. Nós temos que nos tocar que as coisas não são descartáveis. Sim, você é rico, ok. Aproveite e ajude uma instituição de caridade.

Eu sei o quanto é prazeroso ter uma roupa nova, ostentar aquele tênis bacana ou desfilar com um relógio massa. Mas né, tudo tem limite! E outra, hoje uma marca pode ser a mais da hora. Amanhã já não é mais.

Conforme já salientado pelo texto da GQ, Demna Gvasalia é o pica da galáxias da moda nesse momento. Ele comanda a sua marca Vetements e a Balenciaga.

A Vetements é conhecida por suas peças descomplicadas, simples e com design over. É o mais moderninho e underground que há. Realmente ela está ditando padrões e conceitos. Já a Balenciaga é atual senhora do dad sneakers. Os febris tênis entre os sneakermaníacos. Ótimo, eu sou dessa pegada, vou usar. Mas amanhã se a coisa mudar de figura não vire a casaca tão rápido.

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Como já dito ele é o Pica das Galáxias da moda hoje, mas o que dirá a moda amanhã?

Será que ele vai sustentar as peças que cria?

Muito provavelmente não, assim como outras marcas não sustentaram. Assim como usar amarelo ontem era legal. Hoje não é mais. E amanhã o azul já será uma bosta.

As próprias grifes, as marcas, a moda em si e seu sistema de criação são aniquiladoras e se autodestroem com essa forma de pensar e agir.

Mas há você de me dizer que na sua vida tudo tem seu tempo pré-determinado. Atores caem, cantores deixam de fazer sucesso e “famosos” aparecem assim como outros desaparecem na velocidade da luz. Mas tudo bem, gente, eles afetam o bolso de alguém? Muito provavelmente da grande maioria não e também não te fazem consumir por impulso, sem consciência ou gastar como se não houvesse amanhã.

E embora eu pareça um chato querendo cuidar do seu dinheiro e de como você o gasta. Não é nada disso. Cada um pica seu dinheiro onde quer. Drogas, jogos, carros, viagens etc.

O que eu quero é que você o faça com consciência de que: “Ah, tudo bem! Eu gasto porque eu posso. Eu sei que amanhã isso já era. Mas eu quero gastar e quero que SE FODA.” Mas eu sei de tudo isso. De Todo esse sistema. Muito bem! O que não dá é para ser mais um alienado no Planeta Terra.

Certo é que o faturamento dessas marcas ainda é alto. As pessoas ligam pouco para o sistema. Mas uma hora tudo isso há de sucumbir. De alguma forma ou de outra enxergaremos o que as lentes de óculos criadas pela mídia, mas que insistimos em não usar, tem para nos mostrar.

Esgotamento de recursos. Sistema financeiro mundial em colapso. A moda em crise de identidade, de criação e de espírito. Consumidores sedentos por ter mais e sem saber o quê. É aquela coisa de comer algo sem saber o quê? Onde vamos parar? Até a quando moda suportará? Só Jesus na causa. Pare e repense.

Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.