Certa vez li que existem três tipos de “eus”.  Aquele que você de fato é: o que compreende seu interior, experiências, seu caráter e educação, assim como gostos pessoais e manias. Aquele que você quer passar para os outros: que é exatamente aquilo que você gostaria de ser ou a mensagem que gostaria de transmitir (ou mesmo aquilo que você é, só que mais intenso e evidenciado). E, por último, aquele que os outros recebem da imagem que passamos: como os outros recebem e percebem essa informação, influenciado pelas próprias experiências e informações de cada um. Seja como for, o que percebo é que a nossa geração está muito mais preocupada em o que gostaria de ser (ou aquilo que queremos mostrar de nós mesmos), do que aquilo que realmente somos. A preocupação de como seremos vistos e como seremos percebidos -e aceitos!- pela sociedade chega a ser tão grande que nós esquecemos daquilo que nos faz ser nós mesmos, daquilo que nos trouxe até aqui. A preocupação de não ser aceito em determinado grupo, tribo ou classe social sempre existiu independente da época (ou vocês acham que não tinha punk-poser nos anos 70?), só que hoje a quantidade de imagens e informação que nos chega é tão grande, que acabamos não tendo o controle sobre elas, sem avaliar o que realmente condiz ou não com o que somos.


Essa afirmação se aplica em tudo, mas foi na moda que isto se tornou mais grave porque é com ela que comunicamos ao mundo esse desejo de ser, ter ou estar. A quantidade de meninos com blusas co estampa de bandas que foram importantes para o cenário do rock é um exemplo muito claro disso. As pessoas carregam uma imagem (logo, uma informação sobre você e seus gostos) sem ao menos conhecer o aquilo representa. As tendências são outro exemplo: se está sendo mostrada nas revistas, blogs e aquelas pessoas que você idolatra ou se espelha estão usando, a gente precisa ter e usar também. Você nem conhece o seu corpo, às vezes, nem se olha no espelho, e mal sabe o aquilo quer dizer: você só precisa ter e usar. Longe de mim fazer julgamentos: estamos todos vulneráveis e confesso já ter caído nessa armadilha algumas vezes.

Então vamos aproveitar o início do ano para reavaliar nossas atitudes e, muito mais que isso, olhar para dentro de nós mesmos. É preciso relembrar a essência da individualidade. Afinal, a moda está aí para isso. Se todos os movimentos passados foram importantes para derrubar estereótipos e conceitos e fazer com que tivéssemos a liberdade que temos hoje, vamos usar isso a nosso favor! Vamos adaptar e filtrar todas as informações que chegam até nós, e fazer disso um fator para agregar, não escravizar. É exatamente isso que desejo para o novo ano de vocês, leitores. Porque nada melhor que gostarem da gente verdadeiramente pelo que somos, e não pelo que gostaríamos de ser.






Escrito por Dhyogo Oliveira
Blogueiro e designer de moda. Também escreve no Sem Geração.