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Esse ano as coisas mudaram um pouco de figura. A COVID-19 impactou relações sociais, a produção de empresas, o consumo de pessoas e, principalmente toda a cadeia da moda. As pessoas estão comprando menos roupas, as marcas estão tendo de rebolar para se manter, ainda tiveram de modificar toda sua produção e mostrar empatia com a dor do outro.

Permeados pelo medo, incertezas e riscos de contaminação, as maiores semanas de moda se viram obrigadas a mudar. Por aqui, não tivemos a edição de abril da SPFW, o Fashion Revolution foi totalmente virtual e o Brasil Eco Fashion Week teve sua data realocada à frente no calendário.

Lá fora, algumas marcas resolveram caminhar sozinhas como é o caso de Giorgio Armani. A Saint Laurent saiu da Paris Fashion Week e Tom Ford apresentou sua coleção em Los Angeles, ou seja, totalmente fora da NYFW.

Daí surgiram novas formas e alternativas para driblar a ausência das semanas de moda. Foram apresentados showroons, desfiles virtuais, desfiles com portas fechadas, formas híbridas, calendários digitais ao vivo, gravados ou presenciais. Estamos vendo de tudo por ai.

Desde que a Anifa Mvuemba, diretora criativa da marca africana Hanifa, apresentou sua coleção por meio de peças em realidade virtual, que caminhavam e desfilavam sozinhas, sem a presença de manequins ou corpos, a coisa pegou e viralizou de uma tal forma, a ponto de nos propor uma nova forma de produzir peças, sem deixar de encantar e trazer o lúdico, a sedução e o desejo para o consumidor.

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Seria a substituição do modelo já existente? Seria a aceleração de processos já criados? E como ficam os encontros dos fashionistas? E as grandes semanas de moda ficam como?

Talvez ninguém tenha a resposta certa para nada, ainda mais no momento que vivemos, mas é certo que nada substitui as semanas de moda presenciais. Elas vão voltar, com certeza, porque elas movimentam muitas pessoas, o turismo cresce, a economia acelera e muitos encontros são proporcionados ai.

Estilistas, maquiadores, cabeleireiros, jornalistas e assim vai. o leque de pessoas que necessitam dessas semanas para sobreviver. O novo normal restabeleceria tudo como no passado?

Jamais. Os novos modelos foram criados e vão deixar um novo legado, que provavelmente será incorporado aos modelos já tradicionais e antigos. Essa questão do desfile virtual tem de se desenvolvido cada vez mais a ponto de ser tão fascinante quanto os presenciais. Das grandes às pequenas marcas, todas estão tendo de se adaptar a nova realidade a ponto de especializar e criar cada vez mais a sedução e o glamour que os desfiles presenciais possuíam.

A Prada fez um curta-metragem. A Gucci fez uma transmissão ao vivo de 12 horas. E a Margiela apresentou um documentário. Cada uma a sua forma fez o que pode e da forma que pode para dar o melhor e produzir a coleção. Já a Dolce Gabbana e a Jacquemus optaram pelo “modus” tradicional, com plateia.

Como se vê as possibilidades são múltiplas e cada um se vira como pode, nos mostrando que em momentos difíceis as marcas têm dado o seu melhor e também nos mostrando cada vez mais que moda é arte sim.

Num primeiro momento os conservadores torcem o nariz, mas todos irão ganhar com isso no futuro, pois o chamado “phygital”, que é a mistura do digital com o físico será cada vez mais realidade. E muita água vai rolar daqui frente na moda. Mudanças foram instaladas e novas formas de produzir construídas.






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Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.