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Você já se questionou de onde vem diretamente a proposta de cada peça que está no seu guarda-roupa?

Para que entenda melhor nossa indagação, proposta é a ideia da coleção, a inspiração de quem a criou, o estilo que seguiu e os parâmetros de estampa, cor e design a serem usados.

Exemplo disso é que cada coleção ou desfile seguiu um determinado caminho com inspirações próprias, que são exatamente a proposta.

E aí? Deu tempo de pensar na resposta? Seriam desfiles, marcas, coleções ou blogueiros?

Acredito que nenhum deles e já lhe explico o porquê.

A moda masculina possui peculiaridades que a tornam muito divergente da moda feminina (que segue outros caminhos bem diversos).

Por exemplo, quantos desfiles de moda masculina você assiste ao ano?

Se você me disser que assiste a desfiles de moda eu já ficarei feliz, pois a grande maioria dos homens (in) felizmente deixa os desfiles passar. Natural, não podemos obrigar ninguém a nada. Daí decorre um abismo enorme entre passarelas e vitrinas. Fodeu!

E isso é bem real. Embora eu admire desfiles da SPFW, eu não vejo muitos caras (a não ser consumidores de peças de desfile) usando saias ou demais peças do João Pimenta (que é o CARA da moda masculina brasileira na atualidade).

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Quanto às marcas. Onde estão elas mesmo? Quantas sobrevivem até hoje?

Onde foram parar Ellus, Triton, Cavalera, Fórum, Zoomp…? Nem a Colcci (que é a mais famosa das marcas brasileiras na atualidade) desfila mais na SPFW. E quantas pessoas mesmo têm poder aquisitivo para viver de marcas?

Com a ascensão das lojas de departamento (Renner, Zara, Riachuelo e afins), elas estão cada dia mais em baixa e não estão ditando nada.

Coleções? Mas que coleções? Ninguém para (reforma ortográfica lazarenta que tirou o acento) para reparar em coleção. É uma ou outra que ganha destaque.

Já os blogueiros…. Hum! Vamos falar de Leo Picon, o cara mais elegante da moda masculina em 2018 (segundo a GQ). Aposto que muita gente o segue, inclusive você. Mas você copia o estilo dele? Acredito que não. As famosas faixinhas que ele bota na cabeça foram copiadas por ai? Sim, por uma minoria esmagadora de instagrammers. Only!

De onde vem então o grosso e o bruto das propostas de moda masculina que enchem os armários dos caras?

A resposta é simples: da música.

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A música está para a moda masculina assim como o sol está para terra. Nós nos inspiramos nos nossos ídolos e eles têm ditado mais a moda masculina que qualquer outra coisa e não é hipérbole minha não.

Mente pequena daqueles que achavam que a influência da música sobre a moda se restringia a camisas de banda.

Desde 1920 a música vem pontuando ondas de estilo dentro da moda e não precisamos ir longe para enxergar tudo isso. Michael Jackson, David Bowie, Kanye West, Justin Bieber e Emicida.

Kanye West para adidas. Quem não quer ter um Yeezy? E o Emicida que tem arrancado suspiros com um street style bem da hora em desfiles que emocionam pela Lab Fantasma.

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Sim, nossa camisa xadrez veio das bandas. Assim, como o destroyed do final de semana. Moda de rua, moda jovem e moda de todo o dia. Está no pé, na cabeça ou no corpo. É o chapéu, a camiseta ou o tênis. Se pararmos para analisar o ponto de inspiração das peças do nosso armário tem muita melodia dentro delas.

Os rappers esbanjam estilo e criam a sedução, que na realidade deveria ser criada por desfiles. Assim como as raves, os cantores sertanejos, MCs e assim por diante.

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Assim, se faz e vive a moda masculina. Não é de hoje nem de ontem. Já faz é bem tempo. Moda, música e universo masculino nunca foram tão próximos!

Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.