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Arlindo Grund, um dos maiores nomes da moda nacional, fala um pouco sobre moda masculina, sua carreira, quebra de padrões, conceitos na hora de se vestir e nos consta um pouco da sua história. Confiram abaixo:

Talvez você seja o maior nome da moda nacional, como você ingressou no mundo da Moda?

Obrigado pelo elogio, mas acho que tudo é fruto de estudo e das experiências adquiridas ao logo da minha vida. Em tudo eu via e vejo moda, parece que isso faz parte da minha natureza. E quando digo moda, quero dizer consultoria, imagens diferenciadas, um estilo único e, claro, as possibilidades que as roupas me dão, dão a todos nós, para criar imagens, comunicar ou, simplesmente, divertir.

Gostaríamos de saber um pouco da sua história e da sua carreira? Você pode nos contar um pouco, incluindo as formações acadêmicas?

Olha, minha vida sempre foi baseada na moda. Desde pequeno até hoje penso que podemos, através das roupas, nos comunicar de maneira diferente, sem dar uma única palavra. Sou apaixonado pela moda desde cedo. Comecei há muito tempo, quase trinta anos de trabalho voltados para a moda. Meu início foi como assistente de produção e figurino e depois consegui carreira na área até montar minha agência, no Recife. Paralelamente a esse trabalho, também corri atrás de graduação, pós e mestrado – os cursos ainda fazem parte da minha vida, assim como a moda. E quando cheguei em São Paulo, tudo convergiu para o meu conhecimento e minhas habilidades voltadas para a moda.

Daí percorri varias redações, fazendo styling de capas e editoriais, sem falar de campanhas publicitárias e desfiles. Até que em 2008 recebi o convite para o Esquadrão da Moda e ai a TV se enraizou na minha jornada. Fora o Tenha Estilo, também no SBT, A Roupa Ideal no canal Sony e, como apresentador, o Prova de Noiva, no canal Discovery Home and Health. Ministrar palestras e aulas também faz parte do meu dia a dia. Ainda lancei dois livros: o primeiro, Nada Para Vestir, e o segundo, As Armadilhas Da Moda.

Você possui alguma inspiração dentro da moda? Quem são elas?

Olha, eu tenho muitas inspirações mais contemporâneas, mas atualmente busco inspirações no cotidiano, no dia a dia, na natureza, nas artes… A moda também tem ótimos profissionais e pessoas que inspiram.

Assim como eu você monta looks bem ousados, às vezes, nem sempre compreendidos pelo público em geral. De onde você tira suas referências e de onde vem suas inspirações para os looks?

Os meus looks são provocativos e tenho consciência disso, Faço para gerar o questionamento e, acima de tudo, para mostrar que a moda pode ser divertida e ousada. Às vezes, quando preciso ir para um local mais formal, busco a adequação, mas sem perder minha essência.

Sabemos que o Esquadrão da Moda é um baita sucesso nacional, de onde surgiu a ideia de montar o programa? Tem possibilidade de expandir algo ou mudar o roteiro?

O programa é da BBC de Londres e o SBT compra a franquia. O fato de estarmos há muito tempo no ar diz muito sobre as adaptações que fazemos ao longo da nossa historia, mas não existe a possibilidade de mudar o formato ou a essência, porque o Esquadrão pertence à emissora inglesa. As pessoas desinformadas acham que é uma cópia, quando na verdade o Esquadrão é uma franquia.

Além do programa, do seu site e das lives (que já é muita coisa) você faz mais alguma atividade paralela? Pode nos contar?

Sim, ministro cursos, palestras, consultoria, aulas… Mesmo on-line a vida não para.

O que você acha que a Pandemia trouxe de bom e de ruim para moda?

Pra moda um dos piores cenários que tivemos está relacionado às vendas e promoções. Mas o mercado está se reerguendo e conseguindo aos poucos retomar. O fato é que provavelmente não voltaremos àquele ritmo desenfreado e sem qualidade de vida. Agora as pessoas vão pensar mais em relação ao consumo consciente e a olhar mais com carinho para seus guarda-roupas. No começo da pandemia falava-se muito sobre troca de valores, rostos das marcas… espero realmente que essa consciência venha de maneira mais calma e inteligente. O mercado são pessoas e antes dos CNPJs tem os CPFs que precisam trabalhar e sustentar suas famílias. A moda tem um mercado grande direto e indireto e precisamos retornar às atividades, mas com muita cautela.

Como você enxerga a moda pós-COVID?

A moda, como muitos segmentos, precisa de reinvenção. Roupas são necessidades básicas e culturais, mas as pessoas estão começando a perceber que muitos conceitos antigos, como repetir roupa, cuidar das peças de seu armário, estão cada vez mais presentes. Sem falar do aumento de peças em brechó.
Sim, porque durante e após a pandemia muitas pessoas faleceram e as famílias doaram suas roupas. Por isso o comercio de brechó está crescendo no Brasil e quebrando esse preconceito que muitas pessoas têm em relação a roupas usadas, que é uma prática comum em países desenvolvidos.

O que não pode falar no teu guarda-roupa e que você indicaria para todos os homens do Brasil?

Acho que hoje o tênis é uma peça essencial para qualquer estilo. E o que eu indico para os homens é que eles não se prendam a regras. Estamos trabalhando para desconstruir o guarda-roupa feminino e deixar a pessoa livre para suas escolhas. Infelizmente, no segmento masculino, muitos homens ainda tem o preconceito de mudar e usar algo que os deixe bem por conta de muitas informações soltas no ar como sendo os verdadeiros códigos de vestimenta para o homem contemporâneo. Fico percebendo quantos consultores masculinos ainda se prendem em normatizar o visual do homem. Padrão não funciona. Somos iguais, mas na moda todos somos diferentes. Reflita!

Como você vê a questão dos eventos de moda no Brasil? Por que a SPFW perdeu o status e glamour de antes ?

Acredito, como já falei, que o mercado de moda está se reinventando e trazendo novas alternativas. Muitas vezes onde as pessoas veem glamour o que tem mesmo é o resultado de muito trabalho e dedicação e pessoas para fazer com que o mercado e o segmento cresçam. As semanas de moda no mundo estão se reinventando e buscando novas alternativas e não será diferente aqui. Como sempre trabalhei nas semanas de moda daqui de São Paulo, não consigo ver esse glamour que tanto falam, até porque ali é um local de trabalho. Talvez esse glamour seja o imaginário das pessoas que não tem acesso à moda ou a eventos como esses.

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Até o próximo MPH Entrevista!






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Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.