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Na década passada (e quando falo em década passada não sou eu que estou falando, diga-se de passagem, leia-se, grandes nomes da moda) o streetwear reinou absoluto.

Vivemos a era dos sneakers, dos hoddies, dos jeans e das t-shirts.

Marcas como Balenciaga, Supreme e Gucci tiveram o apegou máximo fazendo uns panos para garotada e que, na realidade, não passavam de simples peças de grifes vendidas a altos preços, mas que seduziam a geração Y, Z e os Millenials.

Pois é, uma hora essa febre de streetwear teria de morrer e no final do ano passado esse declínio foi lançado por Virgil Abloh. Muito se cogitou, e se cogita, no retorno da alfaiataria, será? Só o tempo para nos mostrar. Porém, acredito ser improvável, incabível e inaceitável que a alfaiataria volte com tudo.

Como na literatura, nas artes ou na história nós vivemos de ciclos, em que o período sucessor se antepõe e repele o anterior. Logo, nada mais normal que haver repulsa à moda de rua e ao streetwear. Mas será mesmo que seria possível ver a alfaiataria desfilando peças, estampando vitrinas e compondo outfits?

Os tempos são outros e os anseios também. Eu mesmo, que tenho que usar todo dia, não suporto e não me vejo dentro dela, imagine quem não precisa? Duvide-o-dó. Mas qual seria a grande aposta da década em termos de moda?

Algo tem de vir ai. E que por sinal que não seja igual ao que já temos e vivemos. Nós já temos logomania em excesso, cores vibrantes, muita ostentação em cima de marcas e peças prezadas pelo ter.

Portanto, assistiremos à chegada de um streetwear mais clean, pautado pelo minimalismo, por uma cartela de cores mais sóbrias, cortes retos, design simples, normcore absoluto e o desapego excessivo às marcas.

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É novidade? Até que não. Nós já temos marcas pautadas por essa simplicidade, por esses cortes retos e por esse design simples e por uma cartela bem fechada (preto, branco, cinza, bege e marrom). É mais ou menos assim, você vê que teve um trabalho do estilista ali porque você olha para o design e é impecável. O corte, embora reto, não sobra pano. E assim vai. Por aqui, a Handred faz isso com propriedade e a tempos e a Osklen também.

Ou seja, é uma super novidade na moda? Not. É apenas um movimento que se contrapõe ao anterior. De certo modo o streetwear continua. Ele só troca de roupa. Mais simples, discreto, repaginado e com uma pegada clean.

Essa é a grande aposta da década, que nem é tão nova assim, mas que promete modificar totalmente o contexto que vivemos na década passada. Os excessos serão descartados, a ostentação será apagada e teremos uma repaginação do streetwear que ganhará um formato bem diferente do atual.

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Ainda temos 10 anos pela frente e estamos bem em cima da linha de transição. Ainda se vê muito do passado e pouco do novo e ainda demorará um tempo até que se concretize essa previsão, mas o que não nos resta dúvidas é que ela vai acontecer.






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Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.