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As marcas de luxo anualmente queimam milhões de dólares em roupas, acessórios e cosméticos. Só que esse fato nem sempre isso é divulgado. Eu mesmo desconhecia essa prática. Você sabia disso?

Como no período inquisitório, milhões em peças de roupas de coleções anteriores, acessórios em desuso e cosméticos (vencidos) são incinerados.

A Burberry não conseguiu evitar e ao acender a fogueira fez fumaça demais e chamou a atenção da mídia, que não hesitou. Ao queimar U$ 37 milhões em produtos (roupas, acessórios e perfumes), a grife chamou a atenção para uma prática que não é única e exclusivamente dela. Acreditem, essa é uma prática difundida no Mundo todo.

Sob a premissa de respeitar a propriedade intelectual, impedir a pirataria e a ascensão de réplicas, bem como o comércio ilegal e clandestino das peças, eu queimo tudo. Afinal, eu gastei com produção intelectual, artística e de mão de obra.

Não há leis que impeçam essa prática mesmo porque as marcas estão dentro da legalidade. Mas a última “queima de estoque” da Burberry que não foi nenhuma liquidação, sale of, bazar ou coisa do tipo, reascendeu outro tipo de chama, a dos que questionam meios de produção, das medidas ambientais e dos tipos de mão de obra utilizada bem como do destino final do produto.

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Em plena Era da sustentabilidade fazer isso é chamar a atenção a uma prática que leva as marcas de luxo diretamente a caça às bruxas. Também pudera, né? É questão de bom-senso a gente enxergar que o problema social do Mundo não é meu, seu ou só responsabilidade da Burberry. É de todos!

Por isso, sair queimando coisas por aí pode até proteger um mercado de luxo já muito obsoleto e ultrapassado. Por outro lado nos revela um lado negro, podre e sem escrúpulos.

Enquanto milhões sequer tem o que vestir… E vamos além do que beber ou comer… Outros, a seu bel prazer jogam dinheiro no lixo. Coisa de louco ou não é? Não podemos bater palma para louco dançar não, então temos que disseminar o quanto mais pudermos essa prática abusiva.

Na defensiva, as marcas mostram as alternativas sustentáveis que estão adotando, mas e dai? Como pode em pleno século XXI isso ainda existir? Isso não é só problema de vocês não. Não é porque possuem grana que podem sair destruindo recursos naturais, financiando a degradação ao meio ambiente e aliada a tudo isso há pataquadas que nós assistimos com relação à mão de obra (escrava por sinal).

Tem muita gente rica fútil e limitada que vai estar nem ai. Os riquinhos, mauricinhos ou fúteis de plantão até devem concordar com essa prática. Acredito eu que hoje as coisas não funcionam bem assim. O consumidor, muito mais engajado e atento, exige retratação e mudança!

Não há justificativas nos dias de hoje que nos permitam tolerar tais práticas. Controle a quantidade do que produz. Recicle, reutilize e invista no upcycling. Venda a brechós. Faça liquidações. Tenha seu próprio outlet. Tudo, menos queime tempo, dinheiro e vida.

Roupa não é um simples objeto. Assim como qualquer outro produto ela faz parte de um nicho, uma estrutura ou uma rede, envolvendo pessoas, setores da economia e do capital mundial, por isso o descarte não pode ser simples. Ele deve ser feito com propósito.

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Esse texto não é salvação do Mundo nem mesmo fará cócegas nas estruturas dessas grandes corporações, mas repense você consumidor. Fica a reflexão!!!






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Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.