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Há pouco mais de um mês recebemos uma triste notícia. Estaríamos vivendo uma parte da história nada feliz para o jornalismo brasileiro… A Editora Abril (que dispensa comentários em termos de tamanho e magnitude), fechou várias revistas e demitiu em massa uma boa parcela de seus funcionários.

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Uma perda para o mercado editorial nacional em termos de conteúdo, inovação, qualidade de fotografia, comprometimento com a verdade e também pela qualidade das matérias apresentadas.

Muitos segmentos da sociedade saíram perdendo. Entre eles, a arquitetura, a gastronomia e, principalmente, a moda, A moda que vive de uma ilusão, uma fantasia e um glamour trazido principalmente pelas revistas e desfiles. Nesse caso, a Elle foi a maior perda que tivemos.

A mídia ficou chocada com triste notícia. A Elle não poderia nos deixar assim na mão, de uma hora outra. Muitas estilistas perderiam, principalmente os novatos da Casa de Criadores que possuíam uma parceria firmada com a revista. Parceria, aliás, que nos rendeu ótimos e belos trabalhos. Rest in Peace Elle.

Só que passado pouco mais de um mês, a comoção acabou. As redes sociais voltaram ao normal. Ninguém fala, outros nem sequer lembram da morte da Editora Abril, mas sim da crise editorial que assola jornais e revistas por aí.

O problema não é só da Editora Abril nem só da Moda e muito menos do Brasil. A crise está feia e não tem só a ver com a crise financeira que assola o país.

A crise editorial relaciona-se muito mais à crise estrutural criada com as novas tecnologias e as formas de pensar introduzidas pelas mídias sociais.

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Embora pareça o fim do Mundo já era de se esperar. Todo mundo já imaginava que na era dos smartphones o consumo de conteúdo mudasse. Com os olhos pregados na tela do celular todo mundo deixaria as bancas de revista a ver navios.

Grandes conglomerados que ocupavam prédios inteiros com editores ganhando vultosos salários produzindo conteúdos de altíssima qualidade, mas caros e muito caros, levando-se em consideração que muita gente por aqui está fazendo para comer. Só podia chegar a um resultado e foi o que aconteceu.

A internet dispõe de muito conteúdo. Ficou difícil filtrar o que é bom e o que não é. Porém, já tem muito conteúdo bom sendo difundido por aí. E é aquela coisa, grátis até injeção na testa. Pois me diga: Quem vai pagar caro em revista por aí?

Ficou insustentável esse tipo de produção cultural. Ainda mais para o brasileiro que lê pouco, estuda pouco etc. Quantas pessoas no nosso país tinham acesso à revista Elle?

Estava na cara que isso ia acontecer com a Editora Abril. Inegável a grande perda, mas os tempos são outros.

Já não existem mais ferreiros porque as ferraduras sumiram. Onde estão os leiteiros? Quem ainda tem um radio à pilha em casa? Ou você ainda ouve CDs?

Era questão de tempo. Foi um processo natural, gradativo e lento. Eles tiveram tempo o suficiente de se preparar. Aliás, eles sabiam de todo esse processo mais do que ninguém. As redes sociais (instagram, twitter e facebook) mudaram até a forma de se consumir (see now, buy now) e de se produzir conteúdo. Logo, elas como não diriam adeus às revistas?

Hoje o conteúdo é dinâmico, veloz, descartável e gratuito indo contrariamente à produção de uma revista: lenta, demorada e cara.

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Perdemos com isso? Talvez, só o tempo para nos dizer. Às vezes me questiono pela questão da qualidade, mas por ora repenso e sigo em frente, pois sites como o The Business Of Fashion, FFW e da Vogue fazem esse delírio passar rapidamente.

Estamos vivendo uma nova era, muita coisa mudou e muita coisa vai mudar. Aguarde. Tem bastante gente para cair outras para entrar. Só vai sobreviver quem se adaptar ao novo período.



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Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.