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Questão de gênero é cada vez mais coisa do passado. Na moda, pelo menos né. Porque a gente entende e sabe bem que na prática a coisa não é tão assim. Porém, aos poucos nós vamos vendo que aquela coisa do menininho de azul e da menininha de rosa está caindo. Tudo é um processo lento e gradual.

Hoje já existem dezenas de gêneros e não dá para só tratar de feminino e masculino. Existia uma zona cinzenta que ficava marginalizada (esses outros tantos gêneros), mas que aos poucos vem ganhando voz, representatividade, empoderamento e espaço.

Assim, para tudo isso acontecer tem que ter um primeiro passo. E esse primeiro empurrão tem que surgir de algum lugar. Geralmente a galere de artes, moda, arquitetura etc. já é quem busca romper essa questão de gênero.

E a moda como sempre possui um papel transgressor e rompedor de barreiras muito grande. Dela se extraem novos comportamentos, formas de pensar e agir. Pois, basta lembrar que ela é uma das maiores formas de linguagem que existe desde tempos remotos. A vestimenta comunica, por si só, criando um storytelling único para cada indivíduo.

E no final do século passado, a gente sentadinho ali com uma pipoca em uma mão e um refri na outra já poderia prever o que iria acontecer. A distinção entre masculino e feminino estava caindo. Corpos fluídos, tecidos leves, formas planas, cortes assimétricos. Era mais ou menos assim: Não dá para distinguir se foi feito para muié ou para hômi. Bom, agênero ou genderless como queiram chamar. As peças vestiam homens ou mulheres, era o antigo unissex reinando.

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Sabe aquela timidez que existia? Porque querendo ou não existe… Homem tem é preconceito de se vestir com peça feminina, o que não acontece no meio feminino. Então… botaram por água a baixo nos últimos desfiles internacionais no começo do ano.

E não foi um ou outro desfile. Geral radicalizou nessa temporada de desfiles masculinos 2020/2021.

Os estilistas estão botando “roupa de mulher” em homem, mesclando com peças masculinas, criando novas identidades visuais e de estilo. Só para ilustrar, vamos citar alguns desfiles que deram o nome nas temporadas de Londres, Milão, Paris e que cagaram para essa questão da questão de gênero.

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Alessandro Michele, na Gucci, jogou baby dolls (peça super hiper ultra feminina) como se fossem blusas ou camisetas fazendo a vez no top. Botou na passarela também cardigãs alongados e malhas decoradas com as frases “Mon petit chou” (meu chuchuzinho em tradução livre do Francês, nada mais gay para os padrões heteronormativos).

Pierapolo na Valentino trouxe um desfile clássico, mas com olhar romântico para o público masculino. Muitas flores para quem sequer demonstra sentimentos. Isso tudo em casacos, sweaters e bolsas. E frases do tipo mimi (Bad Lover, Good Lover e Need. Need) estamparam a sua coleção.

Na Loewe, Jonathan Anderson praticou deu adeus entre o feminino e o masculino. Ele botou vestidos nos homens, as silhuetas ficaram nada masculinas, e os tecidos e aviamentos também provinham de coleções totalmente femininas.

Rick Owens então foi além também. Botou uma pegada glam rock feminina em corpos masculinos. Ombreiras exageradas, silhuetas femininas e botas cano alto bem femininas.

Na Dior, Kim Jones também trouxe muitas referências femininas em bordados, broches, tecidos da costura feminina.

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Esses são apenas alguns dos exemplos de uma temporada totalmente transgressora em termos de padrões e comportamentos. A linha tênue entre masculino e feminino praticamente desapareceu na temporada 2020/2021. Acredito que o caminho é esse mesmo. Homem e mulher em um só corpo, com uma única forma de agir, pensar e vestir. Se eu estiver errado, corrijam-me.






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Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.