millennials

Nem sei se todos sabem. Então para quem ainda nunca ouviu falar: Millennials são essa nova geração de adolescentes e adultos que nasceram no final do século XX e início do século XXI e que possuem novas formas de agir, pensar e se comportar.

Parece que os Millennials estão virando um jogo que até então era uma cláusula fechada dentro da moda, do sistema de consumo e da vida. Que jogo é esse? Uma pelada em tempos de Copa? Uma grande partida em Wimbledon? Ou mais uma jogatina qualquer?

Na realidade a palavra jogo aqui tem uma nova conotação. Ela refere-se, na real, a forma como compramos, consumimos ou buscamos encontrar um produto.

Até então a relação era bem simples: uma marca expunha um produto e nós o comprávamos por necessidade ou, possivelmente, por mero consumo.

As razões de aquisição iniciavam-se na vitrine de uma loja e partiam da nossa vontade apenas. Ninguém focava no fato de como a peça tinha sido feita? Quem tinha feito? Quais os materiais utilizados? Se houve degradação ao meio ambiente ou não? Enfim…. Comprar referia-se meramente em olhar a peça pronta ligar “o foda-se” e adquirir.

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Talvez por conscientização, mas muito mais por necessidade, há alguns anos os Millennials vêm provocando uma revolução na forma de consumir. Sim, o Mundo atual exigiu deles essa reflexão, não foi por mera vontade também não.

Para quem não se lembra, o edifício “Rana Plaza”, em Bangladesh desabou e matou milhares. Sim, almas vivas exploradas, degradadas e humilhadas pela nossa mesquinha vontade de ter mais e por mais barato. Inúmeros foram os bolivianos libertos de condições que nem um animal enjaulado poderia passar no Brasil. O Greenpeace esfregou na nossa cara que aquela grife de luxo que você tanto admira pouco se importa com a água que você toma. O ar que se dane. E o solo muito menos. Quem é o meio ambiente para elas?

Trabalho Escravo

Já era hora de parar. STOP!!! Por favor, o planeta está morrendo. A bela Europa sente pela poluição chinesa. A La Niña não deu trégua no Brasil. E assim os EUA calam a boca com tantas desgraças provocadas pela natureza.

Os jovens não poderiam mais assistir atônitos a tudo isso. Novos conceitos estavam sendo criados. É a Fashion Revolution. Que de Revolução tem bem pouco, diga-se de passagem. Todavia, a iniciativa já é começo.

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Não acredito em revolução, ainda mais na moda. Na realidade o correto conceito seria evolução.
Pois bem, passou-se a exigir mais transparência das marcas e a gente pensa que não, mas elas estavam mais de olho nisso sim.

Muita gente boa falando em slow fashion por aí. E cadê mesmo o See Now, Buy Now. Na SPFW nº 45 a gente já viu a linha divisória. Nem todos se adaptaram ao conceito.

Tem mão de obra escrava, ausência do cumprimento de leis trabalhistas, condições desumanas, poluição, degradação da fauna e flora. Inevitável que sim.

Mas a partir do momento que os Millennials levantaram essa lebre há alguns anos, nós vimos que o mercado está procurando se adaptar. Não são só os grandes. Porque ninguém quer fazer feio.

Valores até então nunca trazidos à tona apareceram com essa nova geração. Confiança, transparência, sustentabilidade, responsabilidade e compromisso social passaram a ser a pauta do dia.

Em tempo de redes sociais em que o fato nem aconteceu e a notícia já chegou, a adaptação necessária foi forçada. Foi-se o tempo em que a marca conseguiu dar às costas e manter seu marketing e publicidade alheio aos acontecimentos. Hoje todo mundo sabe de tudo a todo instante. Não tem como fechar os olhos e fingir que nada aconteceu. Por bem ou por mal, quem não entra na dança, cai fora.

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Novas ideias, comportamentos diferentes e uma nova forma de consumir permearam e delinearam toda a cadeia produtiva da indústria têxtil. Sim, desde a contratação da costureira com salários dignos, condições de trabalho e valorização do indivíduo até o final da cadeia, que seria uma etiqueta constando toda a história daquela peça.

O bagulho é foda de se imaginar. Hoje né? Mas creio que no futuro torne-se simples.

Uma nova era na moda está sendo iniciada em consequência do sistema de consumo atual. Não é a revolução e sim a evolução. Estamos cá, felizes por partilhar esse momento com vocês, Já era tempo. Já estava na hora. Um novo passo na humanidade foi traçado.






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Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.