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Um título como esse soa como um murro na cara das maiores grifes. Seria o mesmo que cavar a cova de muitas grifes que por anos viveram do máximo da alfaiataria. Os melhores cortes. Tecidos de qualidade. Acabamento impecável. Tudo isso vem ganhando uma nova redesignação e 2018 foi a maior prova disso.

Não sejamos tolos de acreditar que tudo aconteceu do dia para noite. Diferentemente da introdução do prè-à-porter (ou ready to wear) por Saint Laurent, o streetwear foi chegando aos poucos, em passo lentos, e ninguém fez nada para contê-lo. Ou melhor não seria possível fazer.

Os adultos de hoje formados pelos Millennials e pela geração Z ditaram mais que essa forma de consumir. Eles criaram um novo lifestyle. Há 10 anos não tínhamos essa onda de veganos perambulando com suas bicicletas. O scarpin preto não seria facilmente trocado por um par de Vans ou de Converse (muito mais confortáveis). Ninguém produzia cerveja artesanal e nada era tão gourmet como hoje. E trabalhar ou comandar grandes seria impossível fazendo home office de pijama em casa.

Fato é que gradativamente os tempos mudaram e a realidade é totalmente outra. Só que em 2018 nós pudemos ver isso com a mais nítida perfeição dentro da moda masculina. Nunca marcas de alta costura se renderam tanto ao streetwear. com Virgil Abloh na Louis Vuitton e Kim Jones na Dior, comandando o segmento masculino das duas marcas, protagonizaram os maiores burburinhos dentro da moda.

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Há tempos que não se via isso. Aliás, pouco nos surpreendia até então. Era um entra e sai lascado de diretores criativos que na teoria culminavam com mudança de estética cujo resultado prático era nenhum ou senão o mesmo de sempre, pois nada mudava.

Pois é, em 2018 o streetwear virou o novo luxo e isso ficou escancarado para quem quisesse ver, ouvir ou até para que fosse esfregado na cara de quem não concordasse. Filas gigantes para se comprar um hoodie da Supreme. O novo cool seria ter um sneaker, cujo protagonista foi o Triple S da Balenciaga. E o Hype ficou por contas de peças que ninguém supunha que um dia serem vendidas pelo preço que foram, gerando dúvidas, controvérsias e muitas críticas. Bonés, bolsas, sneakers, hoodies, cintos e t-shirts by Off White, Gosha Rubchinskiy e Vetements. Os caras e as minas passaram a pagar vultosas quantias por peças do dia a dia.

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Um logo virou uma relíquia ainda mais com as políticas implantadas pelas grifes do momento. O sistema de drops é a máxima do capitalismo (sem questionamentos, por ora).

Produz-se pouco, gerando exclusividade imediata. Mas não se engane, é por pouco tempo. Pois logo há algo novo, gerando um novo hype do momento. Pago porque acho legal e sou diferente. A questão é essa.

Paga-se mais por um tênis do que por um costume bem cortado. Inversão de valores? Jamais. As coisas mudam e isso já vem ocorrendo há algum tempo. E os espertos estão preparados para isso, pois há de se considerar que o streetwear é mais que uma forma de consumir, é um modo de vida.

Os alfaiates devem estar dando pulos de raiva. Mas há espaço para todos. E, com certeza, embora o streetwear seja a realidade presente, há quem já diga que logo tudo isso será negado pelas novas gerações. Será o retorno da fênix. Há prenúncios de que a alfaiataria ainda vai voltar com tudo.

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Por ora, esbalde-se de conforto estilo, como se estivesse na sala de casa, no clube ou no shopping. E não se engane ou muito menos se confunda, o streetwear é muito mais que uma forma de consumir. É um novo meio de agir, pensar e ser.

Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.