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Em 2000 o mundo ia acabar. Pow, já se passaram mais de 20 anos e nada, né? Pelo visto vão longe ainda as coisas por aqui… Em 20 anos muitas coisas podem acontecer, mas na real nem estamos aqui para falar de 20 anos, mas sim dos últimos 10 anos.

10 anos também é tempo para caralho. Se você pensar bem, muita gente morre assim como outras vêm ao mundo. Empresas fecham. Novos sistemas são criados. E assim vai, o Mundo de 10 anos atrás é totalmente irreconhecível se comparado ao de hoje. O Fim de uma década chegou e com ele muitas mudanças.

2020 está aí e um ciclo de 10 anos na moda será fechado com a temporada “primavera/verão” de desfiles em Londres, Paris, Nova Iorque e Milão. E o que isso representa para nós? O que nós sentimos profundamente de mudanças? Como será a moda nos próximos de 10 anos?

Essa foi a década em que os smartphones influenciaram demais a moda e produtores de conteúdo tiveram mais voz que grandes revistas ou especialistas no assunto. Likes e seguidores tiveram um papel importantíssimo na disseminação de informação, construção de tendências e criação de novos valores.

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O aqui e o agora do imediatismo e da instantaneidade das redes sociais impactaram desfiles, mudou cadeias produtivas e deixou estilistas enlouquecidos.

O ritmo de produção se acelerou absurdamente. Chegamos ao inimaginável e ao impensável na necessidade de se criar e produzir mais e mais. A saciedade por novidades com coleções cápsulas, pop up stores e coleções paralelas a outras coleções levou marcas a colapsos, estilistas a problemas de saúde e a troca desenfreada de diretores criativos. A cadeia da moda está cada vez mais veloz e intolerante com quem não a acompanha.

Perdemos a noção de primavera/verão e outono/inverno em coleções e o modo de compra também mudou. See Now Buy Now imperou. Hoje se produz e desfila para já consumir na hora e sair vendendo logo em seguida. Não dá mais para esperar 6 meses. Tem pirataria, tem plágio e tem necessidade do consumidor mimado que quer o aqui e já, para ontem. Novos modelos e formas de se pensar e consumir. Era de tempos digitais.

Noutro compasso, os escândalos gerados por poluição desenfreada e mão de obra escrava fizeram surgir marcas de slow fashion com propostas bem contrastantes às anteriores. Conceitos como reutilização, upcycling, preservação do meio ambiente nunca estiveram tão em voga. Sem contar o boom que os brechós tiveram e essa busca por peças já usadas trazidas principalmente pela pegada brecholenta da Gucci. O cool e moderno é mixar peças de brechó com peças atuais. Esse é o futuro trazido pelas novas gerações.

Gerações Z, Y e Millennials criaram uma nova forma de se consumir, ditando novos padrões de produção à indústria da moda. Manda quem pode, obedece quem é inteligente. No caso, manda quem consome, obedecem as empresas têxteis.

O street style que reinou preponderantemente, em virtude do gosto desse novo pessoal, prezando sempre pelo conforto, foi visto e estampado nas ruas e passarelas por meio de sneakers, hoodies e bonés caríssimos. Por sinal, essa estrutura está com os dias contados e logo menos dará espaço à alfaiataria. Demna Gvasalia já deu sinais de que a Balenciaga está buscando peças estruturadas, bem cortadas e alinhadas. É a alfaiataria dando sinais de que nos próximos anos voltará com tudo.

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Nas vendas, a última década foi a década da valorização máxima das experiências. Nunca vender uma blusinha ficou tão difícil em função da sobreposição do viver sobre o ter. As marcas de luxo cada vez mais tiveram de redesenhar suas vendas atrelando-as a experiências. Você compra a peça acoplada a uma experiência. Porque ter por ter já era.

No casting assistimos a uma verdadeira transformação, Ruptura de padrões estéticos, fim da beleza polida, diminuição dos corpos perfeitos e esbeltos etc. O casting valorizou o EU com suas belezas imperfeitas. Negros, LGBTs, velhos, gordos e deficientes. A passarela nunca se viu tão repleta de pessoas diferentes, com corpos que representassem a todos os tipos de pessoas. O empoderamento virou palavra de ordem. Assim se desenhou os últimos 10 anos da moda.

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Influenciadores ditando conteúdo, muita diversidade, empoderamento e preocupação com o meio ambiente, essas são algumas das questões de ordem que marcaram complemente essa década na moda. E o que está por vir ai.

Sem poder prever o futuro, mas sim já com dados que indicam como serão os próximos 10 anos na moda, temos noção de como será o futuro da moda. Muita coisa pode mudar pelo caminho. Mas, grosso modo, já podemos prever a ascensão de brechós e a queda de fast fashions. Os últimos 10 anos foram totalmente revolucionários e intensos mais que 100 anos de moda juntos e provavelmente os próximos 10 serão ainda mais.

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2020 chegou e essa próxima década, certamente, vai trazer muita novidade por aí.






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Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.