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Não faz muito tempo em que ouvi falar sobre QUEER. Meio por fora do assunto, dei aquela viajada na maionese em meio a uma roda de amigos cults. Sem entender muito do que se tratava, resolvi me informar. E logo o assunto se tornaria recorrente no meu cotidiano.

Mas eu não sou bobo nem nada, tenho certeza que muita gente ainda desconhece e ignora a existência da Teoria Queer. E apesar de sermos um blog essencialmente masculino (gays, héteros, trans…) temos a obrigação de trazer essa informação aos nossos leitores.

Queer é uma palavra que vem do inglês e que se refere a pessoas que não se identificam com a binariedade de gênero, isto é, não são nem heterossexuais nem homossexuais. A questão aqui não é sobre gênero, mas a título de curiosidade saibam que já foram identificados mais de 38 tipos de gêneros diferentes. Por isso, nada de rótulos aqui, Moda para Homens é só o nosso nome, mas a moda é para todo mundo. Ok, tuto bene! Vamos falar de moda Queer.

O que seria a moda Queer? Tida como o futuro do aqui e agora, mas já que passeia por aí. Oloco, já? Já sim. A moda Queer já está nas ruas, nos becos, nos clãs e guetos das grandes metrópoles.

Eu posso falar da minha realidade e sei que Sampa tem uma galera usando a moda Queer há um bom tempo em festas engajadas como a Capslock, Mamba Negra e a ODD.

O que seria essa tal então? Meu, as fronteiras entre macho e fêmea, masculino e feminino, roupa para homem e roupa para mulher estão cada vez mais ultrapassadas e desconhecidas. O filtro acabou minha gente.

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A moda Queer é uma moda de representatividade, mais fluída, que mistura elementos e quebra padrões. Na moda Queer os corpos não representam feminino ou masculino, há uma mistura de signos e peças que não te permitem distinguir, por ora, se é “roupa de mulher ou de homem” ou até se a pessoa é homem ou mulher, no caso de andrógenos.

Fica meio vago falar assim eu entendo, bora aos exemplos e tendências Queer.

Plumas e paetês.

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Sem medo de ser feliz ou da caretice, é brilho por tudo quanto é lado. Há muita cor, há paetês, tecidos sintéticos, pelos. É mix de diferentes referências.

Corpo masculino com silhueta feminina.

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Parece inconcebível um corpo masculino marcar-se por silhueta feminina, mas justamente esse uso de peças que deixam o corpo masculino mais feminino, como a cintura alta. A cintura alta é própria de moda Queer.

Parece que não, mas a cintura alta divide o corpo em duas partes, tornando identificável o gênero.

Macacões.

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O corte reto, fluído, em cores neutras e sem muitos detalhes faz com que não consigamos identificar o gênero dessa peça que é agênero por excelência.

É uma das peças queridinhas aos adeptos do Queer.

Barriguinhas de fora, sim senhora.

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Tem peça mais ousada que o cropped? Nem é toda mulher que consegue usar. O cropped é peça totalmente da moda Queer. Pow, mostram tantas coisas por aí e é ousado mostrar a barriga, justo a barriga. Por que será?

Cada uma, né! Pois bem, cropped é da moda Queer.

Peles de fora.

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Gente para que se esconder tanto, vamos mostrar tudo. As transparências e os corpos à mostra estão ai para serem vistos. Usem e abusem muita transparência, por favor.

Saias e vestidos.

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Saia é assunto polêmico por si só. Imaginem vestidos. Mas é isso aí, saia e vestido para homens. É algo tão de boa e causa tanta polêmica, ainda mais se a saia não for do modelo Kilt.

Vestido então é de jogar merda no ventilador, mas é peça queridinha dos adeptos do Queer.

Você se arriscaria?

Cortes retos e sobreposições.

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As formas retas, amplas, fluídas fazem com que as curvas dos corpos fiquem escondidas e que você não consiga identificar o gênero daquela pessoa.

As sobreposições auxiliam nesse processo. Vamos ficar no pensamento: “será que é ou será que não é”. Deixo para você para definir a seu gosto.

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Enfim isso é um pouco da moda Queer. A moda do aqui e do agora na cena underground, mas que é o futuro da moda. Pois veio da rua para as marcas.

Posso estar errado, mas isso ainda é novo para muitos. Chocará a grande maioria. E já estamos no front de batalhas esperando críticas. Mas a moda Queer está aí na sua fuça com corpos empoderados pelas ruas, nas passarelas e nas pessoas.

Moda é isso gente, é reflexo social da sua época. E embora estejamos vivendo um momento sombrio para a população LGBT, nada melhor que se empoderar por meio da sua roupa. Jogue-se e seja feliz.

Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.