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A moda tem ressignificado muito seu modo de agir, criando novos comportamentos, padrões e leituras da sociedade, por meio do casting de modelos que coloca nas passarelas. Os modelos de outrora já não são os mesmo de hoje.

Antes de estar no mundo da moda eu não entendia muito o que seria “casting”… Casting nada é mais é que o conjunto de modelos que uma marca escolhe para representá-la dentro daquela determinada coleção.

Óbvio que indivíduo por indivíduo é escolhido a dedo dentro das agências de modelos e aqueles que casam melhor com o espírito da marca ou da coleção é que vão literalmente desfilar na passarela.

Alto, magro, caucasiano, loiro, de olhos azuis e sarado (estamos usando tudo no masculino, mas vale para o feminino – altas, magras, lindas e loiras). O padrãozinho reinou na moda por anos e anos. É bonito de se ver? Óbvio! Quem não gosta de ver homem ou mulher bonita.

Era muita pompa, glam e distanciamento da vida real. As roupas ficavam distantes do dia a dia. Os modelos pareciam pessoas surreais e difíceis de se atingir. As(os) próprias(os) modelos(as) não conseguiam manter o padrão. Abusivos casos de anorexia, bulimia e muito mais eram frequentemente denunciados.

Mas no fim da década passada, para o descontentamento de alguns e alegria de outros, a coisa começou a mudar. E só para exemplificar e mostrar como o assunto gera controvérsias. Por um lado vimos o aumento da representação, pois quantos são os corpos sarados, lindos e loiros que vemos no nosso dia a dia. Por outro, as últimas edições da SPFW foram rechaçadas por pessoas que reclamaram muito que tinha caído a qualidade por verem nas passarelas modelos fora do padrão, como gordos, baixos etc.

Aos poucos novas etnias foram ganhando espaço nas passarelas. Os Negros chegaram a comandar desfiles inteiros, principalmente na Casa de Criadores. Pro ora, João Pimenta jogou pessoas especiais e com supostas deficiências em suas coleções e por ai a coisa foi…

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Até que a cada desfile, a cada coleção ou a cada edição das semanas de moda, a população se via cada vez mais dentro do enredo da história, mas esse empoderamento e essa representatividade não pararia por aí.

Modelos com vitiligo, trans, alopecia (sem cabelo), pelos nas axilas, tatuados e diastema (dentes separados). O PADRÃO ACABOU!!!

E o bacana é isso mesmo. Ver diferentes tipos de pessoas sendo representadas dentro de uma coleção. O bonito é abraçar todos de uma só vez, sem excluir ninguém. E o essencial é trazer à moda, todo e qualquer indivíduo com as suas características e peculiaridades.

O mercado plus size só cresce. A bicha na sua forma mais afeminada já é tão vista quanto os héteros tops. Até pessoas portadoras de HIV foram vistas em desfiles na Casa de Criadores e com isso estampado em peças, sem medo de ser feliz.

Os áureos tempos da moda não foram aqueles do bonitinho e do padrãozinho, mas sim estão sendo agora com novos olhares, identidades diferentes e mudança de padrões.

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Assim, construímos novos passos e caminhos dentro da história da moda. Aguardemos o que vem por ai!






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Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.