ForeverFachada

Teve muito consumidor chocado nesses últimos dias. Pois é, a gigante das fast fashions, Forever 21, valendo-se das leis norte-americanas (onde fica a sede e onde ela possui o maior número de lojas no Mundo) deu adeus, decretando falência.

Como assim meu povo? Um puta conglomerado de lojas desse, com mais de 800 lojas espalhadas pelo Mundo, está no vermelho? Não tem dinheiro para pagar as contas e decreta falência para não dar o calote no povo?

Só explicando melhor, ela não vai parar de operar totalmente. Mas ela vai fechar “apenas” 350 de suas lojas. Onde que ela fica? Óbvio que na terra no Tio Sam, onde nasceu e onde todo mundo compra por impulso e em alguns países da América Latina.

Olocoooo, mas se a Forever vendendo muitos paninhos por aí a poucos contos, praticando concorrência desleal a qualquer custo. O que será do resto da indústria da moda? ELAS QUE LUTEM.

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Pois é, essa “falência” combinada com pedido de recuperação judicial não foi da noite para o dia e expressa muito mais do que imaginamos. Onde é que errei? Na administração, no marketing ou no setor de vendas? Identificar o problema é a primeira solução. Mas será que o problema sou eu? Aí é que está a resposta-chave de todos os problemas.

A Forever manteve o mesmo padrãozinho de sempre. Peças bem baratas, na modinha, do tipo descartáveis ao ponto de durar uma coleção, mas que não fariam tanto mal ao seu bolso. O que aconteceu então?

Sabe o que é, pessoal? Esse modelo fast fashion adotado por Zara, H&M e por uma pá de outras marcas do mesmo estilo está em declínio e elas sabem que a batata delas está assando.

Empresas desse porte sabem muito bem onde estão pisando e inclusive já previam isso. É que o problema não está em mim, mas sim em você. Os consumidores mudaram a forma de olhar para o produto. Hoje, a geração Z e os Millennials estão se preocupando mais com o que compram e como gastam sua grana.

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Poxa, tanto se bate em escassez de água de potável, poluição do meio ambiente, emissão de gases e em massacre humano a custo de mão de obra escrava e não adianta só falar. Eis que uma hora essa nova geração ia arregaçar as mangas e começar a tomar atitudes.

Esse momento chegou, pilhas e pilhas de peças pararam de ser vendidas e isso não virou o calcanhar de Aquiles só da Forever, mas geral das Fast Fashions.

Essa nova geração tem uma nova forma de olhar as coisas, em que não cabem mais peças que durem uma única coleção, que sejam descartáveis e que estão com o “foda-se” ligado para questões ambientais e “fazendo a pêssega” com as pessoas que ralam para produzir essas peças e sequer conseguem comprá-las.

O século XXI é o século dos brechós, do upcycling, do reaproveitamento e das grandes perguntas antes da compra: “Eu preciso disso? Eu vou usar isso?”

Trocar, doar, alugar ou comprar peças de segunda mão são formas de consumir que vão além do comprar. São atos políticos, de cidadania, protesto e conscientização. Já falamos que o futuro na moda é esse e já estamos sentindo no agora como será projetado nosso futuro.

E não adianta só responder com produções totalmente ecológicas, pois ninguém é bobo ou se satisfaz com menos do que merece. É aquela velha história do MC Donald’s possuir um lanche totalmente vegano. Tarde demais, vocês já estão mais sujos na fita que pau de galinheiro. Segue o mesmo raciocínio para essas fast fashions. Talvez mudar o nome, o logo, a forma de produzir, etc., seja a melhor opção. Não sei, vão ter que rebolar para sobreviver e vender.

Os tempos são outros, os anseios também. O tchauzinho da Forever é só o começo. Vem muito mais por aí. Aguardem…

Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.