Os estereótipos do conceito de HOMEM estão mudando!

Qual o conceito de homem que você teve ao longo da sua vida?

Provavelmente a visão de homem que você recebeu tem a ver com uma imagem de homem sério, calado, viril, forte e muitas vezes machista. Esses foram os conceitos que se perpetuaram por longo tempo na cultura brasileira e não precisa ir muito longe para encontrar resquícios de opressão masculina que no fundo reprimiu muitos caras que não eram assim.

Não digo todos, mas muitos de nós tivemos uma educação bem conservadora em que frases como “homem não chora” foram perpetuadas a começar pela nossa infância (isso era só o começo). Os brinquedos e brincadeiras seriam também segregados. Estávamos crescendo no país do futebol e, sim, nas aulas de educação física e suas cansativas peladas. Era sempre mais do mesmo.

Os pais (e assim inclui as mães) vangloriavam-se dos filhos que à medida que iam crescendo coçavam o saco, pegavam as menininhas e logo cedo começavam a “comer” todas por aí.

Os primeiros relacionamentos seriam marcados por traição e se fosse traído, tornaria a menina pelo resto da vida como a galinha ou puta. Já que convém lembrar ele pode, ela nunca. A sociedade permite assim.

Anos mais tarde, já pai, tornar-se-ia a provedor da prole, uma figura intocável, forte, que não demonstra fraquezas e que sofre calado. Muito menos que ajudaria nos afazeres domésticos.

Livre de sentimentos. Distante da família e dos problemas familiares. Assim, foi por muito tempo e assim a mídia construiu a imagem de homem por anos. Novelas, comerciais e telejornais construíram dentro de nós a figura masculina.

Basta entender que a maioria das publicidades trariam homens com o corpo trincado, distantes dos afazeres domésticos, empresários bem-sucedidos, homens misteriosos e calados ao passo que as mulheres ainda eram objetos de machismo e situações misóginas que na cabeça de muitos apenas se tratam de situações corriqueiras e normais. As dançarinas do Faustão, a garota da banheira do Gugu ou as seminuas dos comerciais de cerveja. O que é pior? Mas muitos não hesitaram em me crucificar pela divagação no pensamento e acharam isso normal.

Basta parar um pouco, como fizemos agora, para ver como em nossa cultura está disseminada essa ideia tosca e estereotipada de homem.

Sim, o homem forte de Esparta já se foi. O patriarca da Idade Média idem. E o que dirá do burguês estereotipado? Os tempos são outros, ainda bem!

Pouco se vê homens se abraçando, demonstrando afetos ou usando roupas diferentes. Tanto isso é verdade que, não raras as vezes que ao ver esse tipo de situação, as pessoas acham que se trata de gays.

A maior prova disso é o choque cultural.

Você já experimentou viajar com brasileiros (mulheres ou homens) ao exterior?

Os rótulos entabulados por aqui são tão grandes que há um choque cultural, principalmente com europeus. Pelo modo de se vestir, portar, agir e comunicar.

Infelizmente a nossa imagem de homem, embora esteja mudando, ainda é muito arcaica. Confundimos orientação sexual com educação, bom gosto e sentimentos.

Por isso, embora hoje tenhamos a noção de que homem ajuda nos afazeres domésticos, que educação é bom e todo mundo gosta (o Sherek só é bonito no filme) e que a roupa que eu uso não define se eu gosto de homem ou de mulher, ainda há muito que se perpetuar isso na mídia.

Quantos homens você vê recebendo ordens de mulheres bem-sucedidas na TV? Ou pais super sentimentais que choram e vibram com alegrias e tristezas dos filhos em novelas? Ou cooperando em afazeres domésticos em comerciais?

Situações corriqueiras e normais do dia a dia, que estão no nosso nariz.

Os estereótipos de conceito de homem estão mudando… Hoje já não enxergamos a figura masculina que enxergamos há 20 ou 30 anos.

Os homens não precisam mais ser fortes, duros e sérios para serem pais amorosos, filhos atenciosos e maridos cuidadosos – e eles nunca foram – e é isso que a mídia tem que mostrar e a gente que entender e botar na cabeça logo de uma vez. Mas até então, você já tinha parado para pensar nisso? Reflita…

Diogo Rufino Machado

Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.

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Veja Comentários

  • Há nas redações das revistas e dos jornais, como na mídia em geral, uma proliferação de simpatizantes do meio-homem, meio-gay: um esforço para afeminar o homem, e não aceitam contestações. Interessante ´é que qualquer um pode se declarar feminista, mas nunca machista - sob o risco de perder o emprego, ser apedrejado e logo logo carregar o estigma de homem antiquado. Esqueçam, simpatizantes! Não terão nossos aplausos. Não fazemos barulho, mas somos a maioria.

    • Na verdade eu vejo que o homem agora tem a liberdade de ser quem ele é, menos guiado pelo "pensamento coletivo" de que tem que ser um homem machista, insensível e agressivo. Quando a mídia decide mostrar um outro lado, eles sempre pecam pelo exagero e isso pode trazer confusão.
      Eu acho que o ideal é o homem ser equilibrado, em todos os sentidos.

    • Eu acredito que cada uma possa ser o que quiser. Vivemos a era da liberdade, mas sem dúvidas pensamentos machistas são ultrapassados e não condizem mais com o tempo em que vivemos.
      Ninguém é meio-homem por ser educado, respeitar os outros e realizar tarefas domésticas.
      Não acredito também que pessoas com esse pensamento sejam a maioria.

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