Porque ele não precisava mostrar em uma estampa qualquer tipo de referência que comprovasse sua personalidade. Ao invés disso, hoje vemos a cara de James Dean estampando a camiseta de alguns marmanjos, mesmo daqueles que nunca sequer viram um filme protagonizado pelo “rebelde sem causa”.

Observando historicamente (e cinematograficamente), em muitos dos grandes homens reconhecidos, não só por seu talento e personalidade, como também pelo bem-vestir – lista de nomes onde estão imortalizados o previamente citado James Dean, o ainda não citado Marlon Brando e, neste século, ilustres como um rabugento Benicio del Toro e o clássico George Clooney – percebemos uma recorrente simplicidade baseada em jeans ou calça + camisa ou camiseta SEM ESTAMPA (exceto raros exemplos de padrões minimalistas, e NUNCA mais de uma peça nesse estilo) + (a depender) jaqueta de couro ou blazer ou suéter. Desde quando deixamos de fazer o mesmo e nos tornamos letreiros ambulantes? Ou será que nascemos e crescemos vestindo folders?

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Este é o norte da bússola.

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Um pattern básico. Dean / Del Toro: Déjà Vu?

O domínio do universo das fontes TrueType e o mundo da vetorização, assim como o crescimento das pequenas (e mal informadas) “confecções” baratas e o plágio moldado-para-massas das lojas de departamentos, transformaram a vida urbana em um inferno para os olhos. Quem nunca entrou em um coletivo ou metrô, ou mesmo em bares e outros ambientes sociais e se viu rodeado de informação colorida sufocando suas vistas, por vezes com frases mal redigidas em pseudo-inglês tupiniquim? Fotos, desenhos, palavras e também manchas disformes e bordados, uma coisa se sobrepondo à outra em um espaço de uma folha A4 no peito. E ainda, gente arriscando uma mistura de camisa xadrez sobre camiseta listrada, boné cheio de bordados coloridos, tênis gigantesco da Nike, cinto de lona de dupla cor aparecendo, jeans com tantas manchas clareadas que mais parece uma camuflagem de guerra e, pra finalizar, mil apetrechos entre anéis, pulseiras, brinquinho e óculos escuro. Se você fosse uma tela e sua roupa um Jackson Pollock, tudo bem, era arte. Mas isso, na verdade, é a falta de noção imperando e o excesso de informação machucando nossos pobres olhos.

O império dos logotipos tornou também comum o empacotamento do almejado “status”, onde hoje o que ocorre na verdade é que não se pode confiar mais na primeira ou segunda ou terceira pólo Lacoste que você vê passar, ou naquela camiseta da Adidas, e mesmo naquela carteira Tommy Hilfiger, pois esses logotipos estão em todos os cantos e já é difícil diferenciar (principalmente nestas e em várias outras marcas) o que é original do que é falsificado (diferenciação complicada até para quem compra, já que até etiqueta, embalagem e comprovante de garantia são também falsificados no pacote. A dica é sentir a diferença na pele). É difícil ver um futuro para a Ray-Ban no Brasil, por exemplo, visto que a marca rende tanto lucro pra pessoas erradas nas esquinas de qualquer cidade. E tá recheado de gente exibindo seus “originais” com pose de rico na praia de Copacabana em fotos do perfil, nas redes sociais da vida.

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Desconsiderando o bom corte e interessante planejamento “Tavi G.” de sobreposições… “tipo assim”, no geral… Qualquer semelhança é mera coincidência!

Imagem por imagem, talvez os referidos ilustres soubessem (os mortos) e saibam (os vivos) que letreiro é coisa de aeroporto, shopping center… propaganda de marca é coisa de outdoor… e excesso de traços e manchas coloridas é coisa de Ivan Serpa, a não ser que você queira acabar exposto no MAM. Não que vivamos em outro mundo alheio a essa sociedade que nos pertence – continuaremos usando nossas (boas) estampas vez ou outra, e exibindo nossas marcas preferidas. Não sejamos também excessivamente minimalistas. Mas a busca pela simplicidade no visual é um exemplo (de sucesso) a ser seguido, que não só tende a melhorar nosso aspecto com um belo diferencial (imagine o oásis que não deve ser para uma mulher observar, em meio a tanto grafite, um cara com uma camisa básica em uma festa), como também é um alívio para o nosso bolso. Vale pensar duas vezes antes de adquirir aquela camiseta brega da Volcom por R$80, e adquirir uma sem estampa e mesmo “sem marca” (famosa, ao menos), analisando simplesmente a boa costura e a composição do tecido, adquirindo algo de maior valia por bem menos grana – MUITOS R$ a menos.

Ainda dentro dos exemplos citados, é útil perceber que os acessórios dão o toque especial na composição pra que ela não fique parecendo algo meramente desleixado. Observem nas fotos o uso de relógio, pulseira, corrente, óculos (e percebam também que não vemos todos esses acessórios sendo usados ao mesmo tempo, erro clássico cometido por 99,9% dos brasileiros, acrescentando àquele visual já poluído pelo excesso de estampas); e, fora isso, o cigarrinho pra quem fuma e o (bom) livro pra quem lê.

Um último lembrete: atente para a personalidade do primeiro parágrafo. Ela está em itálico. Sem ela, esqueça tudo o que leu, pesquise e escolha estampas com boas referências. Depois de absorver realmente as referências, livre-se das estampas.

Isto é apenas uma dica.

Texto enviado pelo Saul Mendez.






Escrito por Moda para Homens
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