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As artes “latu sensu” sempre foram o terreno fértil onde brotaram ideias, germinaram inspirações e onde floresceram os mais loucos pensamentos, desejos e consequentes expressões.

Na dança, coreografias eruditas explorando o corpo e a sexualidade. Na música, letras atrevidas que brincam com o léxico. E na moda, a ousadia nata e imperante busca explorar o novo, improvável e inimaginável. Corpos cada vez mais despidos. Roupas com cada vez menos distinção de sexo.

E assim é até hoje… As artes permitem que o homem trabalhe com os seus desejos mais inconscientes (ou não), loucos e improváveis.

Sim, é inacreditável que no passado mulheres usassem lindas a belas anáguas. Pior é pensar que elas não podiam usar calça comprida. Ou que o rabo de cavalo foi invenção de mademoseille Coco Chanel. O primeiro topless chocou as famílias mais tradicionais. Homens de saia, ainda são vítimas do preconceito que a sociedade emana sobre a virilidade. Fomos tão longe e ao mesmo tempo parecemos estar tão distantes. Qual a bola da vez?

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Homem ou mulher sempre sentem a necessidade de libertação. A exploração do corpo e da sexualidade nas mais variedades modalidades (hétero, homossexual, trans…) é e sempre foi o ponto de partida de todas essas conquistas envolvendo roupas, vestimentas e indumentárias que permeiam o nosso universo. Mas tanto já foi explorado. Aliás, ao olhar da maioria as possibilidades já se esgotaram.

Ledo engano. Do seio da sexualidade aflorada, dos desejos proibidos e da vontade enérgica de apimentar relações de procriação e sexo, os ousados de plantão transbordam suas fantasias para ruas, bares e festas. Levam à moda mais uma vez o improvável. Das vitrines dos sex shops, das feiras eróticas e dos sites de putaria, saíram acessórios fetichistas. O harness (“arreio” em inglês) é o mais querido e visto entre os homens por aí.

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Mas o que é o harness? Um entrelaçado de cintos que mistura uma coleira com cintos cheio de argolas e que se prendem ao tórax como se fosse um emaranhado que permite que a pessoa seja puxada ou fique imobilizada ao usá-lo durante a relação sexual. É um acessório que envolve domínio e dominação. São os mais loucos desejos que sua mente permite imaginar pelo uso de um único acessório.

Em couro, elástico ou camurça. Ele perdeu sua função precípua e originária de objeto sexual, ganhou as passarelas e hoje está nas ruas. Com uma pegada mais discreta e um tom medieval, a Dirk Bikkembergs e a Ratier colocaram nas passarelas. Já Felipe Fanaia e Roger Dognani vende o acessório há tempos na Das Haus.

Parece criação maluca de estilista atrevido, mas não é não. O acessório já percorre muitas festas eletrônicas no Brasil como a Pop Porn, ODD, Carlos Capslock

Alguns ousam usar o harness isoladamente, exibindo um físico invejável. Já os tímidos, colocam o acessório em meio a outras peças. Camisas brancas ou peças pretas são a pedida da vez. Se a intenção é destacar o branco é a peça certeira. Já se a pegada é dark ou gótica, mesmo que suave, prefira o preto.

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Uma linha tênue entre o vulgar e o artístico foi traçada. Nudes distanciam-se do nu escrachado e baseado apenas em sexo. O harness surge com uma nova opção de transgressão, empoderamento sexual e liberdade de expressão. E ai qual é próxima? Até onde podemos chegar?

Escrito por Diogo Rufino Machado
Ariano. Apaixonado por moda masculina e música eletrônica. Advogado. Jornalista de moda e blogueiro nas horas vagas.