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O Itaú Cultural, desde o mês passado, abriu espaço para a historia da moda brasilera. A Ocupação Zuzu Angel está em cartaz para contar a história da estilista que foi a principal expoente da moda nacinoal no mundo e, muito mais que isso, protagonizou de uma das mais comoventes historias sobre a ditadura no país. A mostra ocupa quatro andares do centro cultural e foi organizado de maneira cronológica.

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Zuzu Angel foi uma estilista que nasceu em Curvelo, foi criada em Belo Horizonte, e se mudou para o Rio de Janeiro, onde começou sua marca. Ela criou um pequeno ateliê que concentrava toda a sua criação de saias e vestidos com a cara o país: estampas, muitas cores e formas fluidas eram as suas principais características, que flertavam perfeitamente com a época: esteve em atividade na transição da década de 1960 e 1970, auge da moda tropical. Com identidade visual marcante, a estilista foi a primeira a criaruma roupa 100% brasileira que tinha como inspiração o próprio país. Usava materiais nobres como a seda e rendas manuais e produzia estampas de maneira independente e exclusiva. Por esse motivo, foi convidada a vestir importantes nomes internacionais da época, no momento em que o país nem sabia o que era desfiles de moda.

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Moda em tempos de ditadura

Na medida em que sua roupa era vista e seu trabalho reconhecido no exterior, a ditadura crescia no Brasil. Seu filho, na epoca estudante e militante como tantos outros, Stuart Angel Jones, foi torturado e morto por militares, bem no auge da carreira de Zuzu. Inconformada, a estilista começou uma verdadeira saga para ter a morte de seu filho comprovada, uma vez que não tinha provas, e o corpo nunca foi encontrado. O caso ficou conhecido e a Zuzu Angel usou dos contatos que tinha para fazer justiça, mesmo que sem muito sucesso. Escreveu cartas a próprio punho para imoprtantes nomes da política internacional buscando explicações e porquês e até para o próprio presidente da república, suplicando por justiça. Sem sucesso, usou a moda a seu favor e, com a ajuda de famíliares e amigos, criou uma coleção-protesto para tornar o caso internacionalmente conhecido. Desfilou essa coleção de roupas em Nova York com estampas inspiradas na ditadura do país e em Stuart. À partir daí, adotou o traje de luto como oficial e deixou as estampas e cores (sua marca registrada) para tráz. Muitos dessas roupas, além de peças originais da coleção desfilada em Nova York, fazem parte da exposição. Zuzu causou burburilho na política do país e, em 1976, foi assassinada pelos mesmos militares que causaram a morte de seu filho.

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Essa é a primeira exposição 100% dedicada a moda e política nacionais e conta com as peças desde sua carreira, além de documentos da ditadura, fotos da época e dezenas de cartas escritas à próprio punho. Tudo faz parte do acervo do IZA – Instituto Zuzu Angel que, criado em 1998, tem sede no Rio de Janeiro a fim de manter viva todaa história da mãe e custureira. O IZA junto com o Itau Cultural criou uma programação dinâmica que conta com palestras com estilistas atuais, desfiles e até um mini curso com o cenário fashion da época mininstrado pelo historiador João Braga. Além de emocionante, a exposição mostra o quão importante a moda é para as mais diferentes áreas da sociedade: econômicas, políticas e sociais.

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Embora o IZA fique no Rio de Janeiro, cidade em que a estilista se inspirou para fazer sua moda, foi São Paulo que acolheu a exposição e resgatou a memória quase perdida, reflexo do quão desvalorizado é a história da moda na cidade maravilhosa. Fica a crítica.

O Itaú Cultural fica na Avenida Paulista, 149 e a ocupação vai até 11 de Maio. Imperdível!






Escrito por Dhyogo Oliveira
Blogueiro e designer de moda. Também escreve no Sem Geração.