O ideal de beleza para mulher e o homem brasileiros está mudando sem muita gente notar. Aquela história de que o biotipo “modelete” é o mais desejado pela população já não é mais verdade (vide a preferência do público pelo corpo de Geyse Arruda do que Juliana Paes). Afirmo isso com respaldo dos recentes estudos, pesquisas e publicações dos principais veículos da mídia. Segundo dados do IBGE, na década de 70, os gordinhos representavam 3,7% da população brasileira. Em 2009 passou para 21,7%, e a expectativa para 2020 é que 30% da população estejam acima do peso. Os dados não param por aí: hoje, 52% dos homens brasileiros são gordinhos (ou seja, a maioria de nós!) e isso representa uma mudança, além de estética, comportamental e cultural em nosso país.

O tema foi capa da revista época da semana passada, apresentando os motivos e causas desse crescimento. Entre elas estão o sedentarismo (maior com a substituição do trabalho braçal pelas máquinas), a ascensão econômica das classes C e D (lembra que falamos sobre isso aqui?), o que aumenta o consumo de alimentos como o fast food, por exemplo. Além disso, para o público feminino, principalmente, já existem referências na cultura pop como Adele, Preta Gil e Beth Ditto, mulheres lindas, bem sucedidas, sem deixar se abalar com a ditadura da magreza. Os homens também acabam saindo na vantagem em algumas pesquisas, como a que diz que os casamentos que mais duram são aqueles em que o homem pesa mais que a mulher, além da onda na cena hypster nos Estados Unidos de que “virou moda” que homens sejam gordinhos.

Dados à parte, o fato é que as mudanças já estão aí. Concursos Plus Size, adaptação do design (como cadeiras com grade de tamanhos, mouses adaptados etc), e principalmente lojas de varejo exclusivamente para tamanhos grandes, além da atenção maior de marcas comuns para esse público. Particularmente, sou a favor de que os mesmos modelos de roupas em tamanhos “padrão” sejam feitas em tamanhos maiores. Por outro lado, deve haver a preocupação do consumidor saber o que fica bem ou não para o seu corpo (e isso também serve para os magros demais, altos, negros, etc), mas sem restrições. Foi pensando nisso que a C&A lançou ontem, no Rio, uma coleção chamada Special for You inspirada no lifestyle de Preta Gil, com peças que vão do tamanho 46 ao 56, feitas pensando nessa nova mulher acima do peso e bem resolvida. Estive presente, e achei a coleção com informação de moda a um preço muito acessível para um público que, de fato, tem problema em achar isso nas araras das lojas. O evento foi bacana e significa que as fast-fashions também estão acolhendo o plus size. Antes, era difícil achar peças em tamanho 52, 56, por exemplo, por um bom preço.

Mas ainda há muito que mudar. Alias, as mudanças que são feitas de forma gradativa, mostram resultados mais eficazes. O público masculino, por exemplo, sempre fica à margem de coleções como essa. A justificativa é que o homem, por ser mais básico que a mulher, encontra as peças com mais facilidade. Mas com informação de moda? Acho difícil.

Apesar de tudo, mesmo sabendo que os gordinhos estão mais seguros de si e estão ganhando atenção especial de empresas de moda, design e estética, a principal preocupação que a pessoa deve ter em mente é, em primeiro lugar, a saúde. Exercícios físicos e uma alimentação regulada e correta são indicados para todas as pessoas, independentemente do peso. Obesidade é doença, e reduz a expectativa de vida para menos 1 ano, além de  acarretar outras doenças, sempre relacionadas às principais causas de morte. Mas sem dúvidas, o importante é se olhar no espelho e se sentir bem e atraente, e acho que é essa a idéia que está cada vez mais presente na cabeça dos brasileiros.

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Vamos acompanhar os próximos episódios.






Escrito por Dhyogo Oliveira
Blogueiro e designer de moda. Também escreve no Sem Geração.